Me apaixonei por uma garota lésbica de 13 anos que tomou a iniciativa de se aproximar de mim, dei presentes e escrevi uma carta falando em casamento, mas terminei bloqueando ela depois de descobrir coisas que destruíram minha confiança. Fui babaca?
Antes de tudo, quero deixar claro que tenho 16 anos e ela tem 13. Sei que essa diferença de idade importa, principalmente nessa fase da vida, e quero que considerem isso ao julgar minhas atitudes. Vou chamá-la de J para preservar a identidade dela.
Conheci a J por meio de um grupo de pessoas que se conheceram em um acampamento cristão. O grupo deveria ser um espaço para compartilhar experiências com Deus, testemunhos e aprender juntos, mas acabou se tornando um ambiente de fofocas, discussões e conversas tóxicas.
Foi nesse grupo que começamos a nos conhecer. Aos poucos, passamos a conversar praticamente todos os dias, trocar memes, músicas, apelidos carinhosos e fazer chamadas. Com o tempo, a proximidade aumentou bastante, até chegarmos a um nível de intimidade que, olhando de fora, provavelmente parecia um relacionamento, mesmo sem termos assumido um oficialmente.
Eu sabia desde o início que ela era lésbica. Não descobri isso somente depois de me apaixonar. Também conhecia parte dos problemas familiares e emocionais que ela enfrentava e sabia que havia experiências difíceis por trás de algumas questões pessoais dela. Nunca considerei que isso me desse o direito de tentar mudar sua sexualidade ou de pressioná-la a sentir atração por mim.
Inclusive, justamente por ela ter 13 anos, enquanto eu tinha 16, e por conhecer algumas das dificuldades que enfrentava, eu procurava agir com cautela. Eu não queria deixá-la desconfortável, pressioná-la ou ultrapassar limites. Não queria que ela se sentisse obrigada a corresponder aos meus sentimentos.
Só que existe um detalhe importante: não fui simplesmente eu que comecei a investir romanticamente nela. Ela também tomou a iniciativa de se aproximar dessa maneira. Começou a me mandar vídeos de declarações amorosas disfarçados de brincadeiras, fazia comentários românticos, dizia que queria um namorado como eu — embora também tenha dito, em outra ocasião, que não queria que esse namorado fosse eu — e demonstrava um carinho que eu interpretava como algo além de amizade.
Isso me deixou confuso. Eu sabia que ela era lésbica, mas, diante dessas atitudes, comecei a pensar que talvez estivesse experimentando sentimentos que não entendia completamente, que estivesse em dúvida ou que estivesse apenas brincando com esse tipo de aproximação. Não tinha como saber ao certo, então fui me envolvendo aos poucos.
Com o tempo, comecei a gostar dela de verdade. Conversávamos sobre nossas vidas, compartilhávamos momentos pessoais e nos aproximamos também presencialmente. Fui à casa de familiares dela, passamos tardes juntos, trocamos abraços e outros gestos de carinho e criamos lembranças que, naquela época, significavam muito para mim.
Eu sabia que ela enfrentava dificuldades emocionais e familiares sérias. Quando ela estava mal, tentava acolhê-la e apoiá-la. Não vou expor detalhes íntimos da vida dela, mas eu realmente me preocupava com o que acontecia e queria que ela ficasse bem.
Em determinado momento, eu já estava apaixonado. Dei presentes, incluindo uma Bíblia, uma pelúcia, um livro e um boné que meu pai havia me dado. Também escrevi uma carta dizendo que a amava, que imaginava a possibilidade de me tornar marido dela no futuro, se fosse da vontade de Deus, e que estava tentando me tornar um homem melhor.
Hoje reconheço que escrever sobre casamento para uma garota de 13 anos, especialmente quando a relação ainda era indefinida, pode parecer intenso demais. Não quero usar minha idade ou meus sentimentos como desculpa. Na época, eu estava realmente envolvido, mas também tentava respeitar os limites dela e não transformar aquela expectativa em uma obrigação.
Apesar de toda a proximidade, não assumimos um namoro. Havia questões de idade, maturidade e fé, e eu concordava que não deveríamos apressar as coisas. O problema é que a relação parecia avançar emocionalmente e, depois, recuar. Existiam demonstrações de carinho e aproximações românticas, mas também momentos em que ela dizia que não queria avançar.
Em uma ocasião, depois de passarmos um dia juntos, ela disse que queria se afastar da parte romântica e priorizar sua relação com Deus. A amizade poderia continuar, mas aquela mudança me machucou, porque eu já estava muito envolvido e não entendia como havíamos chegado àquele ponto.
Tentei respeitar a decisão. Conversei com pessoas próximas e comecei a perceber que precisava me afastar emocionalmente. Depois, uma colega de trabalho me contou que a J teria dito que não conseguia sentir atração por homens. Isso me fez questionar se ela havia sido sincera comigo sobre a natureza da nossa aproximação.
Não estou dizendo que ela fingiu todos os sentimentos, que sua sexualidade é algo que deveria mudar ou que uma pessoa lésbica não pode ter dúvidas sobre si mesma. O que me machucou foi pensar que talvez eu tivesse interpretado como interesse romântico algo que ela não poderia ou não queria corresponder. Eu teria aceitado uma amizade se soubesse que era isso que ela realmente queria.
Depois de conversar com pessoas em quem confiava, decidi bloqueá-la nas redes sociais e no WhatsApp. Fiquei triste, mas também senti alívio. Estava cansado de tentar entender uma relação que parecia mudar de direção constantemente.
Só que, depois do bloqueio, aconteceu algo que mudou ainda mais a forma como eu enxergava tudo.
Eu ainda participava do grupo cristão em que havíamos nos conhecido. Em uma conversa, outra garota, que vou chamar de C, disse que, durante nossa amizade, eu não havia tratado a J bem e a teria machucado por causa dos problemas pessoais dela.
Fiquei surpreso, porque não reconhecia aquela descrição de mim. Fui conversar com a C em particular para entender o que havia acontecido. Segundo ela, a J teria mostrado uma captura de tela e contado que eu ria das dificuldades que ela enfrentava, chegando a dizer que agradecia por não estar passando pela mesma situação.
Aquilo me deixou indignado. Eu não me lembrava de ter feito nada parecido e, na verdade, lembrava de tentar confortá-la quando estava mal. Eu e a C acabamos discutindo, e a conversa não terminou bem.
Procurei outra pessoa próxima à J, que vou chamar de M. Ela me enviou um áudio dizendo que a J nunca havia contado a ela que eu a tratava mal ou ria do sofrimento dela. Minha colega de trabalho também relatou ter ouvido da J uma versão semelhante à acusação que chegou até mim.
Diante desses relatos contraditórios e da minha própria experiência, passei a acreditar que a história de que eu ria dos problemas dela era inventada. Não tive acesso a todos os contextos originais das conversas, mas fiquei profundamente decepcionado com a possibilidade de alguém atribuir a mim uma atitude que considero cruel, especialmente porque eu havia tentado apoiar essa pessoa.
A M também me contou que tinha ouvido de uma liderança do acampamento outros relatos negativos sobre o comportamento da J. Não tenho como confirmar essas outras histórias e não quero usá-las como prova de nada. O que importa para mim é que, naquele momento, minha confiança já estava destruída.
Bloqueei a C, saí do grupo antigo e criei outro, menor, com pessoas com quem realmente queria compartilhar experiências de fé. Também pedi à minha colega de trabalho que não me trouxesse mais informações sobre a J. Eu não queria continuar acompanhando o que acontecia na vida dela nem transformar isso em uma disputa para descobrir quem estava certo.
Hoje, não quero retomar a amizade. Não pretendo procurá-la, confrontá-la ou expô-la publicamente. Ainda reconheço que ela enfrentou dificuldades e que os momentos bons que vivemos foram reais para mim, mas isso não significa que eu precise continuar próximo de alguém em quem perdi a confiança.
O curioso é que, há pouco tempo, eu estava apaixonado, escrevendo uma carta sobre casamento e imaginando um futuro com ela. Agora, depois de pouco tempo sem contato, percebi que já esqueci boa parte dos detalhes dos nossos momentos. Lembro que aconteceram, mas não fico revivendo tudo nem sinto a mesma ligação emocional. Continuo com alguns presentes que ganhei dela, como um crucifixo, mas consigo olhar para eles sem sentir aquela paixão de antes.
Não me arrependo de ter gostado dela. Meus sentimentos eram sinceros, e tentei agir de acordo com aquilo em que acreditava naquele momento. Porém, não quero continuar esperando por alguém nem manter uma relação na qual não me sinto seguro.
Existe uma última questão: em breve, participarei de outro acampamento cristão, e existe a possibilidade de encontrá-la lá. Depois de tudo o que aconteceu, minha vontade é manter distância e não iniciar uma conversa. Não quero causar uma cena ou estragar o evento para ninguém, mas também não quero fingir que nada aconteceu.
Sinceramente, devo fazer o que no acampamento? vai ser ao final de Outubro.