Me deparei com a proposta de Flávio Bolsonaro de criar um Ministério da Prosperidade. Na hora, só consegui pensar em Helldivers 2.
Para quem não conhece, Helldivers 2 é um jogo de tiro em que você luta em nome da Super Terra, uma sociedade que se apresenta como o ápice da liberdade, da prosperidade e da democracia.
Só tem um detalhe: essa sociedade é uma sátira de regimes autoritários.
A Super Terra tem propaganda estatal por todos os lados, militarismo exacerbado, culto ao patriotismo e uma visão de democracia em que o cidadão não precisa pensar muito, apenas cumprir seu dever. A expressão usada no universo do jogo é Managed Democracy, ou "democracia gerenciada": uma paródia de um sistema que se diz democrático enquanto transforma a obediência ao Estado em virtude máxima.
O humor está justamente no contraste entre o discurso grandioso do governo e o absurdo do que ele representa. Tudo é apresentado como liberdade, paz e prosperidade, mesmo quando a realidade é muito mais sombria.
Aí, em pleno ano eleitoral no Brasil, aparece a ideia de um Ministério da Prosperidade.
Não estou dizendo que uma proposta com esse nome seja, por si só, autoritária. Mas é difícil não lembrar da estética de propaganda política que o jogo satiriza: nomes grandiosos, promessas de uma sociedade melhor e a ideia de que o governo está conduzindo todo mundo rumo a um futuro glorioso.
Talvez eu esteja jogando demais, mas agora só consigo imaginar o anúncio oficial:
MINISTÉRIO DA PROSPERIDADE
Sua prosperidade é seu dever. Sua liberdade está sendo gerenciada.
PELA SUPER TERRA!
Agora não consigo mais ouvir “prosperidade” sem imaginar um oficial da Super Terra fazendo um pronunciamento em rede nacional.
Sweet Liberty.