TW: Ansiedade e depressão
Boas. Antes de mais peço desculpa pelo texto gigante que vou escrever, mas sinto-me sozinha no que estou a passar e preciso de sentir que não o estou. Toda a gente diz que há pessoas a nossa volta que também estão a sofrer e que a saúde mental não é tabu, mas a verdade é que quando toca de realmente falarmos uns com os outros sobre nos sentirmos da mesma forma, ninguém o faz.
Sou uma rapariga de 25 anos e estou exausta.
Há cerca de 10 anos que sofro de ataques de ansiedade extremos que evoluem para depressão, ao ponto de ficar uma semana sem comer, sem me conseguir levantar da cama e com idas ao hospital.
Estou a ser seguida por uma psiquiatra, e, durante cerca de 5 anos, as coisas melhoraram- só tinha uma crise uma vez por ano e era mais fácil sair dela. Estava também no psicólogo e conseguimos identificar alguns pontos do porquê de isto me acontecer, mas havia alturas em que simplesmente não havia uma causa direta.
O problema é que em março os anti-depressivos deixaram de me fazer efeito e comecei a ter crises de choro e sem conseguir sair de casa.
Desta vez não sentia que a causa era ansiedade, simplesmente acontecia. Sentia-me completamente desesperada, e quando saía de casa só pensava "isto é tortura. Quero voltar. Preciso de me deitar".
Na minha cabeça pensava "isto não é só ansiedade. Não pode ser só ansiedade".
Cheguei ao ponto de dizer a mim mesma "só quero que esta dor passe. Só quero que acabe. Vou passar o resto da minha vida a sofrer".
Nunca pensei em tomar ações que me fizessem acabar com a vida, mas cheguei a ter pensamentos do género "se a Rússia nos atacar agora, não quero saber. Se tiver agora um acidente de carro, não quero saber".
A minha psiquiatra colocou-me num anti-depressivo mais forte e deu-me estabilizadores de humor. Basicamente ela acha que estou no espetro da bipolaridade, ou seja, tenho crises depressivas muito profundas sem motivo aparente. Este diagnóstico deu-me alguma paz, porque ao menos consegui arranjar uma explicação e deu-me esperança de que me arranjassem uma solução para a minha situação.
Os últimos 7 meses têm sido uma luta gigante. Tive crises mais controladas durante a fase de habituação da medicação e há vezes que me sinto tão em baixo... Simplesmente há alturas em que não me sinto eu mesma.
O meu maior esforço é ir trabalhar todos os dias. O trabalho ajuda porque me distrai, mas é exaustivo ter de ser forte todos os dias.
Há dias em que também penso que ninguém gosta de mim.
Nunca tomei nenhuma medida drástica porque no passado consegui ultrapassar estas situações e isso dá-me esperança, mas eu sinto-me tão cansada....
Acima de tudo, sinto-me um fardo.
Vejo na cara de minha família que eles estão sempre em nervos, a ver quando é que vou ter outra crise. Sinto que não consigo falar com as minhas amigas, porque apesar de elas me apoiarem, não entendem e não sabem como me ajudar. Nem eu o sei. E sinto que eu canso.
O pior de tudo é o meu namorado. Estamos juntos há 7 anos e ele apoia-me incondicionalmente.
Sinto-me um fardo gigante para ele.
Estou farta que ele tenha de me confortar tantas vezes, e, apesar de ele não gostar que eu diga isto, penso que um dia se vai cansar de o ter de fazer.
Vejo a nossa vida juntos, com filhos, em que ele tem de carregar uma responsabilidade acrescida por minha causa.
Eu sei que tenho de ser paciente, mas nunca mais passa e sinto-me tão sozinha neste sentimento.
Obrigada por ouvirem.