Olá a todos. Estou a passar por um dos momentos mais duros da minha vida e gostava de ter uma perspetiva de fora sobre o que aconteceu, porque estou a dar voltas à cabeça e a culpar-me muito.
Vivi uma relação de cerca de 1 ano e meio. No início, foi tudo muito rápido e intenso. Ela vinha de uma relação de 10 anos que tinha terminado há apenas 13 dias quando nos envolvemos. A química e a conexão eram incríveis e, ao fim de 8 meses, decidimos ir morar juntos.
Ao longo do último ano, como eu ganhava mais e sabia que a realidade financeira dela era difícil (com muitas contas para pagar), assumi voluntariamente a responsabilidade de ajudar muito mais nas despesas da casa para a apoiar.
No entanto, a relação tinha problemas estruturais. Havia desgaste, eu reconheço que tenho traços de impulsividade e às vezes falava pior, mas ela também era uma pessoa muito difícil, muito dependente da família de origem e da mãe (com quem falava ao telefone 7 ou mais vezes por dia). Eu sentia que o nosso núcleo nunca era a prioridade dela face à família dela.
Para além disso, ela tinha uma enorme incapacidade de atribuir culpas a si própria ou de reconhecer os seus erros. Sempre que tentávamos conversar sobre os problemas e eu dizia que a culpa era dos dois — mesmo começando por falar primeiro das minhas próprias falhas —, ela distorcia tudo, ficava defensiva e acusava-me dizendo: "Então a culpa é só minha?", quando eu só estava a dizer que a responsabilidade era de ambos.
Há cerca de 3 semanas, num domingo, ela decidiu terminar tudo dizendo que "não aguentava mais e tinha medo da próxima cena". Eu, na tentativa de salvar a relação, propus fazer terapia e até sugeri terapia de casal para resolvermos as nossas dinâmicas, mas ela recusou e disse que não se sentia capaz.
Apesar de ter terminado no domingo, durante quase toda essa semana após o término, continuámos a dormir na mesma casa, ela agarrava-se a mim a chorar, dizia que me amava muito e que estava na dúvida. Isto deixou-me com a cabeça completamente confusa.
A rutura definitiva estalou por causa de dinheiro e bens. Quando começámos a falar da partilha das coisas, ela quis simplesmente dividir tudo a meio de forma fria. Eu senti-me injustiçado pelo esforço que tinha feito sozinho o ano inteiro e disse-lhe que as coisas a dois ficavam na casa (onde eu ia continuar a morar) e que nunca tinha sentido o agradecimento dela. Ela argumentou de volta que "nunca me tinha pedido nada" e que o que eu dei foi porque quis.
A partir daí, a situação escalou para um nível que eu nunca imaginei:
Ela deixou de me atender e de responder a mensagens.
Tinha ficado combinado ela não tirar tudo de casa naquela semana para eu me organizar por causa do meu trabalho. Ela quebrou o acordo, foi lá com a família e fez uma razia total à casa (levou quadros de decoração, vasos, talheres, garfos, tudo), deixando as paredes vazias. Além disso, exigiu metade da caução da renda e metade do valor da cama que comprámos.
Desesperado e sem respostas, cometi o erro de ir ao local de trabalho dela tentar falar. Não houve insultos nem ameaças da minha parte, apenas lhe disse que ela estava a ter falta de responsabilidade emocional e que tínhamos de conversar. Ela estava ao telefone com a mãe e a mãe a dizer-lhe para chamar a polícia. Fui-me embora.
No próprio dia, enviei uma mensagem longa de texto para a família dela a pedir desculpa por ter ido ao trabalho, a assumir a minha responsabilidade pela impulsividade, mas a explicar também o quão confuso tinha sido ela dormir e chorar comigo a semana toda. Agradeci o passado e desejei o bem dela.
Há precisamente uma semana, o pai dela ligou diretamente ao meu pai a fazer uma ameaça gravíssima, dizendo que se eu mandasse mais alguma mensagem avançavam com uma queixa na polícia por assédio. No mesmo dia, ela bloqueou-me em absolutamente todo o lado. A irmã dela ainda me mandou um texto frio e puramente jurídico, a dizer que a minha mensagem de desculpas era "lamentável", que o ponto final dela devia ter sido suficiente e que iam analisar tudo para ver se configurava crime.
Desde essa chamada do pai dela (há 1 semana), cortei o contacto a 100%. Zero mensagens, zero chamadas. Estou a respeitar o limite, até para me proteger legalmente.
A minha cabeça está num turbilhão. Por um lado, sinto uma culpa enorme por não ter tido mais calma na última discussão, sinto saudades da conexão que tínhamos e tenho medo que ela vá a correr para outra pessoa. Por outro lado, sinto-me profundamente injustiçado, usado e chocado com a frieza e a mesquinhez de uma família que leva garfos e vasos de casa e envolve pais com ameaças de polícia por causa de mensagens de um homem desesperado que só queria terminar em paz e "na boa".
O que acham disto tudo? O erro foi meu por ter insistido em falar, ou esta reação deles foi completamente desproporcional e injusta? Gostava de ler as vossas opiniões sinceras. Obrigado.